domingo, 9 de fevereiro de 2014

A Mosca

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"The Fly", o conto escrito pelo escritor e jornalista britânico George Langelaan, saiu em 1957. No ano seguinte, a primeira adaptação (A Mosca da Cabeça Branca) chegava às telonas. Esta recebeu duas continuações e a trilogia se saiu relativamente bem em crítica e público. Mas foi somente em 1986 que a tal mistura entre horror e sci-fi chegaria ao seu limiar, passando pelas perturbadas mãos de David Cronenberg.

O físico Seth Brundle está a desenvolver uma máquina que fará do teletransporte uma realidade. Em uma festa que reúne diversos cientistas ele conhece Veronica, jornalista que o acompanhará em suas experiências. Porém, após alguns problemas e goles, o físico deixa de colocar objetos na máquina e entra nela por conta própria. O que ele não esperava era que uma mosca se juntasse nesta empreitada.

O roteiro é muito bem escrito, com um plot que caminha de forma interessante e que não se dá ao desprazer de ficar explicando demais. Até porque trata de assuntos científicos muito extensos e complexos, onde qualquer objeção poderia ou criar muitas dúvidas ou tomar um tempo que no fim seria dispensável. Charles Edward Pogue e Cronenberg fizeram uma história na medida certa, sem precisar pôr nem tirar nada.


Uma das poucas críticas que tenho em relação à direção é a fraca construção da relação entre os personagens. Em alguns momentos, há uma profundidade absurda no relacionamento entre Seth e Veronica, em outros, chega a ser inacreditável a atitude (ou a ausência dela) de determinado personagem. Mas isso não ofusca a genialidade de Cronenberg ao dirigir todas as outras cenas, com destaque a uma das últimas sequências, que desperta - de uma vez só - nojo, sensibilidade e até reflexões existencialistas.

E por falar em nojo, não é uma boa comprar aquele sanduíche da esquina ou uma pipoca para mastigar durante o filme. A maquiagem é tão violenta que o trabalho de Chris Walas e Stephan Dupuis rendeu um Oscar, a metamorfose de Seth é tão assustadora quanto bem detalhada. As atuações não seguem lá a mesma qualidade, mas conseguem convencer, Geena Davis cai até bem como uma Ripley do laboratório.


Portanto, "A Mosca" é um excelente filme e merece tomar aquela sua horinha e meia de puro tédio. Talvez ele não seja um dos melhores filmes em efeitos especiais ou som, mas transpõe sua premissa de forma absurda, chegando a abordar temáticas que poucos esperariam durante a projeção.
 
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